Profissionais da Rádio local contam experiências em debate na 6ª Semana de Jornalismo da Unicap
Por Rebeca Kramer
A Universidade Católica de Pernambuco promove, dos dias 23 a 25 de março, a 6ª Semana de Jornalismo, com o tema Jornalismo Profissional: Um campo de Possibilidades. Dentro da programação, aconteceu, no final da tarde desta quarta-feira (24), uma palestra seguida de debate com representantes das principais Rádios locais que produzem conteúdo essencialmente jornalístico. A convite do coordenador do encontro, o professor Vlaudimir Salvador, a mesa cuja temática foi Os Caminhos do Rádio Contemporâneo contou com a presença de Roberto Souza, da Rádio Universitária; de Mário Neto, da Rádio CBN; de Carlos Morais, da Rádio Jornal e com Marise Rodrigues, da Rádio Folha.
Na opinião de Carlos Morais, a promoção de debates em campus Universitário faz-se importante até mesmo pela repercussão que os temas podem gerar. “É discutindo com adversidade que debatemos a diversidade”, brincou, relembrando que o diretor-adjunto de redação do Jornal do Commercio, Laurindo Leal, antes de ministrar uma palestra, perguntou-lhe, curiosamente, como havia sido o primeiro dia da Semana de Jornalismo, visto que Morais tinha participado de outra mesa. “E isso tudo gerou conteúdo dentro da própria redação”, completou.
Morais comentou que a opção pelo Radiojornalismo é um caminho de muitos desafios, dispondo, comumente, de equipes muito reduzidas para trabalhar. Na ocasião, ele citou a Rádio Clube AM como exemplo de veículo sem um grupo de repórteres disponíveis para ir às ruas. “Atualmente, a tendência é a busca pelo jornalismo multimídia. As matérias feitas acabam não sendo somente pra Rádio, acabam indo pra internet com mais detalhes e complementadas e, como o jornalismo on-line também não tem repórteres, as últimas notícias são feitas, muitas vezes, por rádio-escuta”, explicou, comentando casos em que o repórter de Rádio estava executando sua matéria e, sem se atrapalhar em nada, fotografou a cena com o celular, enviou para a redação on-line, e já permitiu a divulgação da notícia em primeira mão. “É a convergência dos Multimeios”.
Outro ponto colocado pelo Carlos Morais foi uma crítica pessoal ao fato de o trabalho desenvolvido em Rádio não sair muito da produção de dentro dos estúdios. “Isso mata a essência do veículo Rádio”, disparou. E completou: “Você sente o clima da matéria entrevistando as pessoas na rua. Acho incrível, por exemplo, quando sugerem que não desloquemos gente pra um jogo de futebol simplesmente para não gastar dinheiro. Em casos como esse, agimos em parceria com CBN em algumas transmissões, com pautas feitas em conjunto, para formar um jornalismo cada vez mais forte”, afirmou.
“Somos loucos por Rádio. Se estamos nisso é porque acreditamos”. Com esta frase, Mario Neto, da CBN, introduziu sua fala destacando a relevância da Rádio e sua singularidade, mesmo diante da polêmica da disputa com a internet. “Nada bate o veículo Rádio no cenário local. É muito mais prático, veloz e simples. A informação em Rádio é passada por celular ou por qualquer telefone público. Mas, a nível mundial, é com a internet que acabamos nos informando. No caso do jornal impresso, a matéria até vem mais trabalhada, mas só sai, também, no dia seguinte. Com relação à televisão, tem muitos detalhes, como ter que testar qualidade de imagens, deslocar equipes...”, colocou, destacando as funções primordiais da Rádio, as de informar, prestar serviço e interagir.
A partir disso, Mário comentou que a temática do trânsito na cidade do Recife era uma pauta constante no seu horário de programa, pela manhã, pelo “caráter crônico do problema”. “O trânsito do Recife é caótico. Mas, não é só aqui não. A CBN em São Paulo, mesmo, também aborda o tema, numa cidade que tem um trânsito pior ainda que o nosso”, revelou.
O coordenador de notícias da CBN expôs que a participação do ouvinte pelo Messenger, colaborando ao vivo, ou pelas sugestões enviadas via e- mail são fundamentais para que a Rádio realmente preste um serviço público. “Certa vez, o presidente da Emlurb estava comigo no estúdio e um ouvinte mandou uma mensagem no Messenger dizendo que uma rua atrás do Shopping Recife estava cheia de entulho, cobrando providências. Ele começou com burocracia, dizendo que precisaria ver a área primeiro. Foi quando o ouvinte mandou, na mesma hora, uma foto do local. Imediatamente, ele disse que iria tomar providência e, no outro dia, já não havia mais nada ali”.
Por sua vez, é interessante frisar que, na fala de Roberto Souza, ele tocou na questão da não obrigatoriedade do diploma para a categoria jornalística. Explicitou que, mesmo diante da decisão do supremo de vetar a necessidade do diploma para o exercício da profissão, quem acredita na importância do curso, de verdade, encara a situação e entra nas Universidades de Jornalismo. “Acredito e luto pela reversão para o retorno da validade do diploma”, disse. Souza criticou, no entanto, o jornalista chamado multimídia, afirmando que os estagiários normalmente são os que ocupam esses papeis. Ao mesmo tempo, atribui ao sistema o fato de esse estagiário ter que ser hábil para trabalhar com tudo e ganhar um salário nem sempre proporcional.
Marise Rodrigues falou um pouco de sua experiência enquanto profissional e, posteriormente, focou no trabalho desenvolvido na Rádio Folha de Pernambuco. Pontuou que o perfil do ouvinte era variado, muito embora ela considere estranho um veículo não ter um público alvo específico, a exemplo da CBN que, como ela mencionou, volta-se principalmente para o sexo masculino das classes A e B. “Temos uma emissora que pega todas as camadas sociais”, falou.
Marise, que chegou a chefiar a CBN contando com o auxílio de oito repórteres, revelou ter sentido um choque ao se deparar, na Folha, com unicamente dois repórteres, quatro estagiários e dois produtores. E, desses quatro, atualmente só resta um. “Infelizmente, o que acontece é que a Rádio Folha é de caráter educativo, e a gente sabe que não existe investimento. Pra fazer um balanço comparativo, estamos lá atrás em audiência junto com Rádios como a Nova Brasil, a Tribuna e a Universitária”, relatou, informando, ainda, que a Folha FM consegue alcançar uma área de somente 50km, que chegava em áreas como Carpina e Gravatá, mas que tinha dificuldades em regiões como bairro de Boa Viagem, no Recife, pelo fato de os prédios altos atrapalharem as transmissões.
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