quinta-feira, 25 de março de 2010

Semana de Jornalismo_Rádio

Profissionais da Rádio local contam experiências em debate na 6ª Semana de Jornalismo da Unicap


Por Rebeca Kramer

A Universidade Católica de Pernambuco promove, dos dias 23 a 25 de março, a 6ª Semana de Jornalismo, com o tema Jornalismo Profissional: Um campo de Possibilidades. Dentro da programação, aconteceu, no final da tarde desta quarta-feira (24), uma palestra seguida de debate com representantes das principais Rádios locais que produzem conteúdo essencialmente jornalístico. A convite do coordenador do encontro, o professor Vlaudimir Salvador, a mesa cuja temática foi Os Caminhos do Rádio Contemporâneo contou com a presença de Roberto Souza, da Rádio Universitária; de Mário Neto, da Rádio CBN; de Carlos Morais, da Rádio Jornal e com Marise Rodrigues, da Rádio Folha.

Na opinião de Carlos Morais, a promoção de debates em campus Universitário faz-se importante até mesmo pela repercussão que os temas podem gerar. “É discutindo com adversidade que debatemos a diversidade”, brincou, relembrando que o diretor-adjunto de redação do Jornal do Commercio, Laurindo Leal, antes de ministrar uma palestra, perguntou-lhe, curiosamente, como havia sido o primeiro dia da Semana de Jornalismo, visto que Morais tinha participado de outra mesa. “E isso tudo gerou conteúdo dentro da própria redação”, completou.

Morais comentou que a opção pelo Radiojornalismo é um caminho de muitos desafios, dispondo, comumente, de equipes muito reduzidas para trabalhar. Na ocasião, ele citou a Rádio Clube AM como exemplo de veículo sem um grupo de repórteres disponíveis para ir às ruas. “Atualmente, a tendência é a busca pelo jornalismo multimídia. As matérias feitas acabam não sendo somente pra Rádio, acabam indo pra internet com mais detalhes e complementadas e, como o jornalismo on-line também não tem repórteres, as últimas notícias são feitas, muitas vezes, por rádio-escuta”, explicou, comentando casos em que o repórter de Rádio estava executando sua matéria e, sem se atrapalhar em nada, fotografou a cena com o celular, enviou para a redação on-line, e já permitiu a divulgação da notícia em primeira mão. “É a convergência dos Multimeios”.

Outro ponto colocado pelo Carlos Morais foi uma crítica pessoal ao fato de o trabalho desenvolvido em Rádio não sair muito da produção de dentro dos estúdios. “Isso mata a essência do veículo Rádio”, disparou. E completou: “Você sente o clima da matéria entrevistando as pessoas na rua. Acho incrível, por exemplo, quando sugerem que não desloquemos gente pra um jogo de futebol simplesmente para não gastar dinheiro. Em casos como esse, agimos em parceria com CBN em algumas transmissões, com pautas feitas em conjunto, para formar um jornalismo cada vez mais forte”, afirmou.

“Somos loucos por Rádio. Se estamos nisso é porque acreditamos”. Com esta frase, Mario Neto, da CBN, introduziu sua fala destacando a relevância da Rádio e sua singularidade, mesmo diante da polêmica da disputa com a internet. “Nada bate o veículo Rádio no cenário local. É muito mais prático, veloz e simples. A informação em Rádio é passada por celular ou por qualquer telefone público. Mas, a nível mundial, é com a internet que acabamos nos informando. No caso do jornal impresso, a matéria até vem mais trabalhada, mas só sai, também, no dia seguinte. Com relação à televisão, tem muitos detalhes, como ter que testar qualidade de imagens, deslocar equipes...”, colocou, destacando as funções primordiais da Rádio, as de informar, prestar serviço e interagir.

A partir disso, Mário comentou que a temática do trânsito na cidade do Recife era uma pauta constante no seu horário de programa, pela manhã, pelo “caráter crônico do problema”. “O trânsito do Recife é caótico. Mas, não é só aqui não. A CBN em São Paulo, mesmo, também aborda o tema, numa cidade que tem um trânsito pior ainda que o nosso”, revelou.

O coordenador de notícias da CBN expôs que a participação do ouvinte pelo Messenger, colaborando ao vivo, ou pelas sugestões enviadas via e- mail são fundamentais para que a Rádio realmente preste um serviço público. “Certa vez, o presidente da Emlurb estava comigo no estúdio e um ouvinte mandou uma mensagem no Messenger dizendo que uma rua atrás do Shopping Recife estava cheia de entulho, cobrando providências. Ele começou com burocracia, dizendo que precisaria ver a área primeiro. Foi quando o ouvinte mandou, na mesma hora, uma foto do local. Imediatamente, ele disse que iria tomar providência e, no outro dia, já não havia mais nada ali”.

Por sua vez, é interessante frisar que, na fala de Roberto Souza, ele tocou na questão da não obrigatoriedade do diploma para a categoria jornalística. Explicitou que, mesmo diante da decisão do supremo de vetar a necessidade do diploma para o exercício da profissão, quem acredita na importância do curso, de verdade, encara a situação e entra nas Universidades de Jornalismo. “Acredito e luto pela reversão para o retorno da validade do diploma”, disse. Souza criticou, no entanto, o jornalista chamado multimídia, afirmando que os estagiários normalmente são os que ocupam esses papeis. Ao mesmo tempo, atribui ao sistema o fato de esse estagiário ter que ser hábil para trabalhar com tudo e ganhar um salário nem sempre proporcional.

Marise Rodrigues falou um pouco de sua experiência enquanto profissional e, posteriormente, focou no trabalho desenvolvido na Rádio Folha de Pernambuco. Pontuou que o perfil do ouvinte era variado, muito embora ela considere estranho um veículo não ter um público alvo específico, a exemplo da CBN que, como ela mencionou, volta-se principalmente para o sexo masculino das classes A e B. “Temos uma emissora que pega todas as camadas sociais”, falou.

Marise, que chegou a chefiar a CBN contando com o auxílio de oito repórteres, revelou ter sentido um choque ao se deparar, na Folha, com unicamente dois repórteres, quatro estagiários e dois produtores. E, desses quatro, atualmente só resta um. “Infelizmente, o que acontece é que a Rádio Folha é de caráter educativo, e a gente sabe que não existe investimento. Pra fazer um balanço comparativo, estamos lá atrás em audiência junto com Rádios como a Nova Brasil, a Tribuna e a Universitária”, relatou, informando, ainda, que a Folha FM consegue alcançar uma área de somente 50km, que chegava em áreas como Carpina e Gravatá, mas que tinha dificuldades em regiões como bairro de Boa Viagem, no Recife, pelo fato de os prédios altos atrapalharem as transmissões.

terça-feira, 23 de março de 2010

Aula_26 de março

Sala 505_Turma TL0_Debate


Transplantes de Órgãos

Aula_25 de março

Sala 505_Turma TL0_Debate


Violência Contra a Mulher

sábado, 20 de março de 2010

Aula_23 de março

Sala 505_Turma Tl0_Debate




Programa de Debate: Sistema Penitenciário

Aula_22 de março

Sala 505_Turma TL1_Debate


Reforma Psiquiatrica

Aula_19 de março

Sala 505_Turma TL0_Debate



Programa de Debate_Vocação Religiosa

Aula_18 de março

Sala 505_Turma TL1_Debate



Programa de Debate_O Uso da Camisinha

sexta-feira, 19 de março de 2010

Programação da Semana de Jornalismo

Confira a programação:


23/03 (Terça-feira)



Oficina: Photoshop

Horário: 13h às 15h

Com professor Breno Carvalho



Palestra: Panorama da Comunicação Corporativa no Brasil

Horário: 15h às 17h

Palestrantes: Ana Aragão, Kennedy Michiles e Teresa Maciel (Abracom)

Mediador: Professor Alexandre Figueirôa



Palestra: Mídia e Diversidade

Horário: 17h às 19h

Palestrantes: Jota Araújo (editor chefe Bronca Pesada), Carlos Moraes (diretor redação Rádio Jornal), Daniel Vasconcelos (Blog do Jamildo), Sérgio Dionísio (apresentador Ronda Geral – TV Tribuna) e Adriano Pádua (editor do site Toda Forma de Amor)

Mediador: Professor Alexandre Figueirôa



Palestra: A Reportagem Especial no Jornalismo Impresso

Horário: 19h às 21h

Palestrantes: Fabiana Moraes (Jornal do Commercio) e Micheline Batista (Diário de Pernambuco)

Mediadora: Profa. Adriana Dória



24/03 (Quarta-feira)



Oficina: Photoshop

Horário: 13h às 15h

Com Prof. Breno Silveira



Palestra: Convergência Midiática em Sistemas de Comunicação Regionais – a Experiência do JC

Horário: 15h às 17h

Palestrantes: Laurindo Ferreira e Marília Banholser (Jornal do Commercio).

Mediador: Prof. Dario Brito



Palestra: Caminhos do Rádio Contemporâneo

Horário: 17h às 19h

Palestrantes: Carlos Morais (Radio Jornal), Roberto Souza (Radio Universitária) e Marize Rodrigues (Rádio Folha) e Mário Neto (Rádio JC/CBN)

Mediador: Prof. Vlaudimir Salvador.



Palestra: O Jornalista e a Pesquisa Acad&e circ;mica

Horário: 19h às 21h

Palestrantes: Sheila Borges (Jornal do Commercio), Luiz Joaquim (Folha de Pernambuco) e Lydia Barros (Diário de Pernambuco)

Mediadora: Profa. Fabíola Mendonça



25/03 (Quinta-feira)



Oficina: Photoshop

Horário:13h às 15h

Com Prof. Breno Silveira.



Palestra: Fotografia como Instrumento de Inclusão Social

Horário: 15h às 17h

Palestrantes: representantes do grupo Fotolibras e Geórgia Quintas

Mediadora: Profa. Renata Victor.







Palestra: Jornalismo, Assessoria e Comunicação no Setor Social

Horário: 17h às 19h

Palestrantes: Nataly Queiroz (UNIFEM) e Cirlene Menezes (Centro das Mulheres do Cabo)

Mediadora: Profa. Ana Veloso.



Palestra: A Reportagem Especial na TV

Horário: 19h às 21h

Palestrante: D aniel França (TV Jornal)

Mediador: Prof. Cláudio Bezerra

segunda-feira, 15 de março de 2010

Aula_16 de março

Sala 505_Turma TL0_Debate




Copa do Mundo em Pernambuco

Aula_15 de março

Sala 505_Turma TL1_Debate




Homosexualidade

Aula_12 de março

Sala 505_Turma TL0_Debate


Gravidez na Adolescência

Aula_11 de março

Aula_Sala 505_Turma TL1_Debate


Amores da Internet

Aula_09 de março

Aula_Sala 505_Turma TL0_Debate

Traição e fidelidade

Aula_08 de março

Sala 505_Turma TL1_Debate

Moradores de Rua

Aula_05 de março

Aula_04 de março

Aula_02 de março

Aula_01 de março

Gêneros_Vídeo

Vídeo_Entrevistas

Gênero_Textos

Definição – O que é um debate?


Mesa-redonda ou debate é um gênero do Radiojornalismo em que dois ou mais convidados são mediados por um apresentador que impõe as regras previamente aceitas pelos participantes, tendo em vista delimitar o tempo de fala de cada um, organizar as perguntas e a seqüência das respostas.

O mediador deve ser bem informado, sensível, de rápido raciocínio, imparcial e gentil. A apresentação deve ser ao vivo para gerar maior credibilidade. O assunto a ser abordado na transmissão de um debate deve ser interessante, envolvente, e, acima de tudo, de interesse público.

O objetivo é fazer o ouvinte ficar a par de argumentos e contra-argumentos expressos em forma discursiva por pessoas que de fato sustentam suas opiniões com convicção. Os participantes da mesa-redonda, normalmente, têm idéias diferenciadas entre si.

É aconselhável mesclar vozes femininas e masculinas no estúdio, onde todos devem ser informados do nome e do cargo de cada debatedor. É importante abrir espaço para a participação do ouvinte por telefone ou e-mail, o que precisa ser informado ao ouvinte repetidas vezes. Na mesa-redonda, o assunto é abordado pacificamente; no debate, há discussão e confronto de idéias opostas.


Como produzir um debate?

Em primeiro lugar, cada participante deverá reunir as informações levantadas, individualmente, sobre as concepções de pesquisa. Depois, vocês deverão dividir-se em grupos. A partir dai, cada grupo deverá preparar a sua Mesa Redonda, de acordo com as orientações abaixo:

A Mesa Redonda consiste na reunião de um grupo de pessoas (especialistas) que conhecem um determinado assunto em profundidade e têm diferentes e divergentes pontos de vista sobre este mesmo tema. Estas pessoas expõem e debatem o seu ponto de vista, de forma organizada, perante um público escolhido previamente.

Os integrantes de uma Mesa Redonda (que pode ter de 3 a 6 pessoas) sustentarão diferentes posições sobre o tema em questão. Os participantes deverão conhecer o assunto em profundidade, além de possuírem habilidades para apresentar e defender a sua posição com argumentos.

O mediador otimiza o tempo e gerencia os conflitos entre os participantes do debate. Tenta fazer com que os assuntos não saiam do foco principal e orienta o andamento da discussão.

Primeiro, o tema deverá ser escolhido; depois, os especialistas/convidados devem ser selecionados. Finalmente, deve ocorrer uma reunião prévia com os participantes com o objetivo de estabelecer a ordem da exposição, o tempo, temas e subtemas a serem considerados.


É hora do Debate

Primeiro, o mediador abre a mesa redonda com algumas considerações iniciais: o tema, os procedimentos, a apresentação e os agradecimentos aos participantes, e comunica ao público que as perguntas poderão ser feitas ao final da mesa redonda.

Então, o mediador oferece a fala ao primeiro participante. Cada participante poderá falar durante três minutos aproximadamente. Em seguida o mediador cederá a palavra aos outros participantes da mesa redonda de forma sucessiva e de maneira a alternar os pontos de vista opostos ou divergentes.

Se um participante exceder o seu tempo, cabe ao mediador alertá-lo do fato. Uma vez finalizadas as exposições de todos os participantes, o mediador fará um breve resumo das idéias principais de cada um dos participantes, além de destacar as diferenças entre as idéias apresentadas.

Com o objetivo que cada participante possa clarear, ampliar a exposição de seus argumentos e rebater as críticas, o mediador convida os participantes a falar novamente por dois minutos.

Minutos antes de terminar o prazo previsto o mediador dá por terminado o debate, fazendo um resumo final e expõem as conclusões, sintetizando os pontos de coincidência e de divergência dentre os diferentes enfoques do mesmo tema. O mediador convida o público a perguntar aos participantes da mesa. Estas perguntas têm apenas caráter ilustrativo e não estabelecerão interatividade entre o público e a mesa.


Objetividade do mediador

A presença do mediador é fundamental, pois além das características já mencionadas, o mediador deve ter uma clareza de voz para o rádio e ter um timing aguçadíssimo. Além disso, deve-se levar em conta o controle dos participantes, o direcionamento do tema e o controle técnico (se o convidado está perto ou longe do microfone, se há possibilidade de mexer papéis ou tamborilar os dedos, etc.)

O mediador deverá ser imparcial e objetivo em suas intervenções, resumos e conclusões. Deverá ter agilidade mental e capacidade de síntese, e deverá ser muito prudente com o tempo de sua participação, pois o importante na mesa redonda é conhecer as idéias dos participantes.

Além do mais, o mediador deverá coordenar e saber conciliar, com o máximo de inteligência, as posições divergentes entre os participantes da mesa, ou mesmo de alguma pessoa presente no público.

Isso porque o debate radiofônico costuma ter duas direções. Como se não bastasse, existem temas que, por serem complexos, podem exigir a presença de mais de dois convidados. Nesse caso, o mediador deve saber controlar o equilíbrio de vozes, uma vez que o rádio não tem imagem.

Debate - Modelo de Script

LOC: BOM DIA OUVINTES DA RÁDIO UNIVERSO. ESTÁ NO AR, O PROGRAMA DEBATE DA

SEMANA. EU SOU ANE CASIRAGHI, E NO PROGRAMA DE HOJE, VAMOS DEBATER SOBRE

A UNIÃO CIVIL PARA HOMOSSEXUAIS. NO ESTÚDIO, O JURISTA ARISTÓTELES PLATÃO;

BOM DIA DOUTOR ARISTÓTELES... O LÍDER DA ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL

AMOR SEM FRONTEIRAS, ROBERTO SCHULLERMANN, BOM DIA, ROBERTO... A

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE SENHORAS PELA MORAL E PELOS BONS COSTUMES,

DONA EULÁLIA CALIXTO, BOM DIA DONA EULÁLIA... E A PSICÓLOGA ESPECIALISTA EM

COMPORTAMENTO HUMANO KÁTIA SELTZER, BOM DIA, DOUTORA KÁTIA...

LOC: ESTÁ NO CONGRESSO NACIONAL O PROJETO DE LEI DA ENTÃO DEPUTADA E HOJE

MINISTRA MARTA SUPLICY, SOBRE A UNIÃO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO.

ENTRE AS VANTAGENS, ESTÃO A HERANÇA DE BENS PELO COMPANHEIRO E A

ADOÇÃO DE CRIANÇAS, COMO NOS CASAMENTOS HETEROSSEXUAIS.

LOC: DE UM LADO, ALEGANDO RAZÕES MORAIS E RELIGIOSAS, ENTIDADES

PROTESTAM. DO OUTRO, ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS SE MOSTRAM

FAVORÁVEIS À NOVA LEI. VAMOS INICIAR O DEBATE COM A SEGUINTE PERGUNTA:

QUAL A INTERPETRAÇÃO DOS SENHORES PARA A UNIÃO DE PESSOAS DO MESMO

SEXO?


DOUTOR ARISTÓTELES?

ROBERTO SCHULLERMANNN?

DONA EULÁLIA?

DOUTORA KÁTIA?

LOC: A LEI FOI BEM DISCUTIDA PELAS PESSOAS INTERESSADAS? ROBERTO

SCHULLERMANN, POR FAVOR?

LOC: DOUTOR ARISTÓTELES, A LEI ESTÁ NO CONGRESSO, O QUE PODEMOS LEVAR EM

CONSIDERAÇÃO DO PONTO DE VISTA LEGAL?

LOC: LEMBRAMOS A VOCÊ, QUE ESTÁ ESCUTANDO O PROGRAMA DEBATE DA SEMANA.

O DEBATE DE HOJE É SOBRE UNIÃO CIVIL ENTRE HOMOSSEXUAIS

LOC: DONA EULÁLIA REPRESENTA UMA ASSOCIAÇÃO DE DEFESA DA MORAL E DOS

BONS COSTUMES, O QUE PENSAM ENTIDADES COMO A DA SENHORA?

LOC: A UNIÃO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO TAMBÉM APRESENTA

ASPECTOS PSICOLÓGICOS? DOUTORA KÁTIA SELTZER?...

LOC:.A REPÓRTER ANNA DIMITRIONI FOI ÀS RUAS DO CENTRO DO RECIFE E

PERGUNTOU A OPINIÃO DESTAS PESSOAS, SOBRE A UNIÃO CIVIL PARA

HOMOSSEXUAIS.


TEC: RODA ENTREVISTAS/ENQUETES


LOC: VAMOS AO INTERVALO COMERCIAL. NO PRÓXIMO BLOCO, CONTINUAREMOS A

DISCUTIR SOBRE A A UNIÃO CIVIL PARA HOMOSSEXUAIS

SEGUNDO BLOCO

LOC: VOLTAMOS A APRESENTAR O PROGRAMA DEBATE DA SEMANA. O DEBATE DE

HOJE, É SOBRE A UNIÃO DE PESSOAS DO MESMO SEXO. NO ESTÚDIO, NO ESTÚDIO, O

JURISTA ARISTÓTELES PLATÃO; O LÍDER DA ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL

AMOR SEM FRONTEIRAS, ROBERTO SCHULLERMANN, A PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO

DE SENHORAS PELA MORAL E PELOS BONS COSTUMES, DONA EULÁLIA CALIXTO, E A

PSICÓLOGA ESPECIALISTA EM COMPORTAMENTO HUMANO KÁTIA SELTZER....


O PROJETO DE LEI SOBRE A UNIÃO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO. AINDA

REPERCUTE ENTRE VÁRIOS PÚBLICOS DISTINTOS, E PESSOAS COMO A DONA EULÁLIA

TÊM MOTIVAÇÕES CULTURAIS E RELIGIOSAS. INDO POR ESSES PONTOS DE VISTA, O

QUE O ROBERTO, DA O-N-G AMOR SEM FRONTEIRAS, PODE RESPONDER AQUI?


LOC: OBRIGADA ROBERTO.

LOC: INFELIZMENTE NOSSO TEMPO ACABOU. VAMOS AS CONSIDERAÇÕES FINAIS. ...


DOUTOR ARISTOTELES...

ROBERTO SCHULLERMANN

DONA EULÁLIA

DOUTORA KÁTIA


LOC: OBRIGADA À TODOS, E UM BOM DIA!


LOC: O PROGRAMA DEBATE DA SEMANA TEVE APRESENTAÇÃO DE ANE CASIRAGHI.

REPORTAGEM DE ANNA DIMITRIONE. PRODUÇÃO DE ROSILENE SANTANA, RACHEL

ROSEMBERG E NAJAT AL KHALED



PRODUÇÃO TÉCNICA: ANA TERESA CASTELO BRANCO



E SUPERVISÃO DE DIMITRI SANDRELEY


Perfil - Definições

Também chamado de Entrevista Biográfica, expressa o perfil psíquico do entrevistado. Nesse caso, não é somente o assunto que interessa, mas como o entrevistado o trata (opiniões, sentimentos e reações). A importância está no interesse que o entrevistado desperta na audiência. Nesse caso, as funções da fala são importantes, principalmente a de apelo.

Para não irmos "pisando no ar" quando estamos entrevistando, um instrumento fundamental é o Roteiro de Perguntas, que vai ajudar você a trabalhar com seu biografado de uma forma direta, prática e objetiva. Por que entrevistá-lo? Porque ele é uma peça-chave no desenvolvimento do seu assunto.

Quantas perguntas fazer? Uma média de cinco perguntas está boa, mas se o entrevistado é uma "estrela"a média de 10 a 15 perguntas soa muito melhor. Além do roteiro de perguntas para a gravação, devemos também fazer um roteiro para apuração, que são perguntas mais simples, que não precisam ser gravadas e que vão servir para o texto. Exemplo: Quantos anos um cantor da Música Popular Brasileira tem de carreira?

O roteiro é uma peça tão imprescindível quanto seu gravador e não tenha vergonha de olhar para ele para se guiar e fazer a próxima pergunta depois da resposta do seu entrevistado. Outro tipo de roteiro que você pode fazer é o Roteiro de Depoimento que cai melhor com crianças ou pessoas da cultura popular.

Perfil - Principais Cuidados

O entrevistador deve ter o tema bem claro. Se não o conhece, deve antes se inteirar do assunto. O entrevistado deve ser selecionado em função do tema. As perguntas a serem feitas devem obedecer a uma lógica. Esquematize com antecedência a entrevista, tanto com o entrevistado, quanto com o tema.

Também devemos tratar o entrevistado por "senhor" ou "senhora". As exceções são "Doutor", para médicos, advogados, juízes e quem fez doutorado, e os termos coloquiais para artistas, atletas, estudantes e crianças.

Produza a entrevista, entrando em contato com o entrevistado, pessoalmente ou por telefone, seja pontual e espere com paciência. Vá com boa aparência, seja educado, astuto e capte os pontos negativos. As perguntas não podem ser fechadas demais, pois assim as respostas são no máximo "sim" ou "não".

A primeira pergunta deve ser abrangente, mas nem tanto, e depois, faça os questionamentos das perguntas mais importantes às menos importantes. O entrevistado deve estar bem motivado, pois o repórter pode colher o melhor possível. Fique atento às respostas, a fim de você pegar "ganchos" para as perguntas seguintes e para não fazer perguntas já respondidas.

Tenha sempre na cabeça que a figura central de uma entrevista é o entrevistado. Ele gosta de saber que você entende o assunto, mas o centro das atenções É ELE. Nunca seja indiscreto. Quase sempre acontecem incidentes graves, provocando até mesmo a retirada do programa, quando é ao vivo.

Não esqueça de, ao final da entrevista, agradecer ao entrevistado e se possível, ceda o microfone para qualquer declaração complementar, despedidas ou agradecimentos à audiência.

Cobertura – Sua importância para quem estuda Radiojornalismo

Planejar e executar coberturas jornalística de eventos em sala de aula dá um embasamento mais prático a quem estuda Rádio. Claro que existe uma preparação para o trabalho. A forma de se comportar numa entrevista, preparar pautas completas, fazer maiores produções e edições de programas não apenas servem de base para a cobertura em si, como também ajudam para a execução de trabalhos futuros.

Preparar o estudante cada vez mais cedo é tentar adequá-lo a uma realidade que está cada vez mais próxima de nós. As exigências estão crescendo ainda mais. O jornalista da TV Globo, Carlos Nascimento no livro Rádio: 24 horas de Jornalismo, de Marcelo Parada, afirma que "Dos novos profissionais, exige-se conhecimento, cultura, domínio do veículo, ousadia e profissionalismo. Nada diferente do que já consagrou dezenas de gerações de profissionais do rádio no Brasil".

Como os estudantes passam por todas as fases de produção do programa, da pauta à edição, o aprendizado e o conhecimento do veículo rádio vai ser mais rapidamente assimilado.

O diretor de Jornalismo da Rádio Bandeirantes - SP, Marcelo Parada, afirma que "O trabalho em edição dá ao profissional uma visão geral do processo de produção e também a respeito da infinidade de assuntos. Para quem está em início de carreira, um lembrete: quem fez edições e textos de forma sistemática por um período e depois, torna-se repórter, geralmente tem um desempenho superior ao daquele que não passou por esse tipo de 'treinamento' ".

Dessa forma, os estudantes aprendem, num trabalho prático como esse, a construir pautas cada vez mais completas, a produzirem melhor as reportagens, bem como editá-las e construir bons textos sistematicamente, o que fornece base aos alunos não só para as cadeiras a seguir para quem optar por esse veículo, como também para as experiências de mercado.

Cobertura – Fases

Preparação: A primeira parte do trabalho é preparar os alunos, mostrando o que é esse planejamento de cobertura, bem como mostra os depoimentos de alunos que já passaram por isso, bem como a apresentação de programas gravados de anos anteriores.

Divisão: Por, os alunos são divididos em quatro funções: pauta, produção, reportagem e edição.

Reunião de Pauta: Os pauteiros das turmas se juntam e vão dividir as coberturas, para evitar que aconteçam coincidência de pautas.

Preparação e entrega de pautas: As pautas, depois de determinadas, são preparadas após uma minuciosa apuração dos dados e pré-produção.

Preparação de produtores e repórteres: É fundamental que as duplas estejam bastante entrosadas, para que o trabalho seja o melhor possível. Durante as aulas da semana, os estudantes são preparados através de mini-reportagens feitas na própria Universidade.

Preparação para a cobertura: De posse do material, como pautas, pilhas, fitas, gravadores, os produtores e repórteres ficam municiados para a cobertura.

A Cobertura: Os produtores e repórteres cumprem as pautas (duas ou três, geralmente) e após prestarem contas do que realizaram, na aula seguinte entregam um relatório de participação e cumprimento de pautas, além de uma decupagem (transcrição) das fitas.

Edição e Montagem: De posse das fitas, das pautas, das decupagens e dos relatórios, as equipes de edição, já devidamente orientada, começam a preparar os scripts dos programas. Enquanto isso, os locutores e as músicas são selecionadas para a gravação final.

Gravação: De posse dos scripts e das músicas escolhidas, a equipe de edição começa a gravar com pelo menos dois locutores (um para fazer a abertura/passagem/encerramento e outro para apresentar o programa em si). Uma opção de apresentar o programa é um casal de locutores (além o da abertura, claro). Sem esquecer que o operador técnico também precisa de uma cópia do script para ele.

Apresentação/Avaliação: Com os programas gravados, é hora de analisar os aspectos positivos e negativos do resultado obtido. Para a maioria dos estudantes, é a primeira cobertura prática da vida deles, daí a importância de todos os aspectos citados.

Cobertura – Eventos Esportivos

O Departamento de Esportes é um dos mais prestigiados dentro do rádio. As regras que até agora citamos valem também para a área esportiva. O diferencial fica na coloquialidade da linguagem (coloquialidade aqui, não significa o excesso de clichês). As transmissões esportivas são sempre ao vivo, mais dinâmicas e esponâneas.

Algumas recomendações para o radiojornalista de Esportes:

- Existe o ouvinte distante do local dos jogos e o presente no estádio com um radinho a tiracolo. Ambos querem informações rápidas e consistentes. Mas de nada adianta notícias rápidas se elas não têm consistência. Mais vale atrasar um pouco a informação do que transmitir uma "encheção" de lingüiça.

- A transmissão deve refletir o clima do estádio através da ambientação verdadeira e da precisão e rapidez das informações, sem usar palavras ou frases de efeito.

- Repórter é repórter; narrador é narrador; comentarista é comentarista. Parece óbvio, mas muitos profissionais se esquecem das funções e emitem opiniões, baseados na "experiência". O repórter informa, o narrador descreve a partida e o comentarista faz a análise do jogo. E, claro: informação é informação e opinião é opinião.

- As transmissões têm musicalidade direta das quadras e dos campos. Músicas da torcida, charangas, devem fazer parte da ambientação para que o ouvinte seja estimulado pela vibração presente.

- Transmissão esportiva é pra ser feita com informalidade e com linguagem correta, para não cair no erro, na hora de improvisar.

- Nomes estrangeiros devem ser padronizados para não confundir a cabeça do ouvinte.

- Contagem esportiva se fala assim:

1 segundo e nove centésimos

1 segundo e oito décimos

1 segundo e 83 milésimos

1 minuto, oito segundos e 76 décimos

- Observe a lista de clichês que devem ser evitados:

O balão passou rente ao poste

Tarde propícia para a prática do futebol

O esquadrão tricolor

Ele foi mais cedo para o chuveiro

O mau tempo reinante prejudicou a partida

No fundo do barbante

E assim, o melhor craque em campo falou à nossa reportagem

Biombo humano

Um chocolate de 7 tentos a 0

E o Náutico sagrou-se campeão mais uma vez

As fortes chuvas prejudicaram o gramado

Essa jogada foi bater lá na Ilha do Retiro

O time está sonolento em campo

Faz um calor senegalesco aqui no Estádio

Foi o momento crucial da partida

- Usar um diário de uma forma competente. Não apenas para marcar os jogos, mas também para acompanhar o dia-a-dia dos fatos. Um exemplo fictício: Angel é um dos atacantes do time mais popular da cidade e no último dia 1º sofreu uma distensão muscular e a previsão é de que ele fique três semanas sem jogar. Imediatamente, você registra o caso na página referente ao dia 22 (três semanas depois). E lá para o dia 20, 21, você pergunta ao técnico como Angel está e quando ele volta. O técnico certamente vai ficar impressionado com a sua capacidade de "estar por dentro" dos acontecimentos.

- Formar uma agenda de contatos é muito bom para formar uma rede de informações e contatos.

Aula_26 de fevereiro

Aula_25 de fevereiro

Aula_23 de fevereiro

Aula_22 de fevereiro

Repórter Esso_02

Repórter Esso_01

Entrevista_Técnica

Técnicas de Entrevista


1. DEFINIÇÕES

Luiz Beltrão ("A Imprensa Informativa". São Paulo: Folco Masucci) define a entrevista como "a técnica de obter matérias de interesse jornalístico por meio de perguntas e respostas".

A entrevista é um dos instrumentos de pesquisa do repórter. Com os dados nela obtidos ele pode montar uma reportagem de texto corrido em que as declarações são citadas entre aspas ou pode montar um texto tipo perguntas e respostas, também chamado "pingue-pongue".

Segundo Luiz Amaral ("Técnicas de Jornal e Periódico". Rio: Tempo Brasileiro, 1987) podem-se distinguir dois tipos de entrevista: a de informação ou opinião (quando entrevistamos uma autoridade, um líder ou um especialista) e a de perfil (quando entrevistamos uma personalidade para mostrar como ela vive e não apenas para revelar opiniões ou para dar informações. Em ambos os casos há interesse do leitor e o jornalista será sempre um intermediário representando o seu leitor ( ou receptor ) diante do entrevistado. Na primeira situação, quando se trata de divulgar informações e opiniões, mesmo para produzir uma simples nota, é conveniente e necessário o jornalista repercutir o material com outras fontes envolvidas com o fato, checando a informação.

Fábio Altman ("A Arte da Entrevista:uma antologia de 1823 aos nossos dias". São Paulo: Scritta,1995) diz que "a entrevista é a essência do jornalismo". Segundo Altman, "a entrevista transforma o cidadão comum em líder, dono da palavra, professor, uma pessoa incomum".

Em "Técnicas de Codificação em Jornalismo-Redação, Captação e Edição do Jornal Diário". São Paulo: Ática, 1991, Mário Erbolato conta que as origens da entrevista remontam a 1836, quando James Gordon Bennet fez perguntas a Rosina Townsend, proprietária de um prostíbulo de Nova York no qual ocorrera um assassinato classificado, então, como "sensacional".

Segundo Juarez Bahia ("Jornal, História e Técnica - História da Imprensa Brasileira". São Paulo: Ática, 1990 ) um dos requisitos mais importantes, na entrevista, é a autenticidade, isto é, que as declarações atribuídas ao entrevistado possam ser facilmente provadas.

Carlos Tramontina ("Entrevista". Rio: Globo, 1996 ) lembra que todo entrevistador faz a mesma coisa: perguntas. Mas cada um desenvolve um estilo próprio, prepara-se de maneira diferente e usa de variadas estratégias para conseguir boas respostas. Afinal, não há boa entrevista sem bom entrevistador.

Voltando a Fábio Altman: "Perguntas frouxas e equivocadas pressupõem respostas do mesmo teor. A inteligência das questões e a descoberta do mote correto podem transformar conversas aparentemente inócuas em grandes depoimentos". Pode-se dar como exemplo a série de encontros informais entre o ex-presidente Figueiredo e o repórter Orlando Brito em caminhadas pela praia de Copacabana ou a fita de vídeo que ele concordou em gravar num fim de festa, em 1997, onde fez revelações sobre as entranhas do poder militar. Em agosto de 1994, com o microfone aberto e a imagem fora do ar, Carlos Monforte, da TV Globo, transmitiu para o país confidências escabrosas do então ministro Rubens Ricupero. (Todos se lembram: “O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”).

Para o professor José Salomão David Amorin, da UnB, "no Brasil as orientações para uma boa entrevista, em certos cursos de jornalismo, têm sido reduzidas a conselhos gagás do tipo quando for entrevistar um sujeito, telefone para saber se ele está em casa; quando ele atender ao telefone diga-lhe bom dia; não compareça a uma entrevista sem gravata..."

Edgar Morin ("A Entrevista nas Ciências Sociais, no Rádio e na Televisão". Cadernos de Jornalismo e Comunicação, 11. Rio de Janeiro,1968) define a entrevista como "uma comunicação pessoal, realizada com objetivo de informação".

O professor Mário Erbolato lembra que "a entrevista é um gênero jornalístico que requer técnica e capacidade profissional. Se não for bem conduzida, redundará em fracasso".

Segundo Alexandre Garcia, citado no livro de Tramontina, quem mais perde com o fracasso de uma entrevista é o entrevistador porque no dia seguinte ele vai fazer a mesma coisa, enquanto o entrevistado sai de cena.

"Entrevistar não é somente fazer uma pergunta, esperar uma resposta e juntar à resposta outra pergunta. É um exercício profissional trabalhoso e ingrato. Quase sempre quanto maior é o interesse do jornal em conseguir a entrevista, menor o do entrevistado em concedê-la, e vice-versa. Na medida que cresce o interesse do jornal, crescem também os problemas do entrevistador", garante Luiz Amaral ("Jornalismo - Matéria de Primeira Página". Rio: Tempo Brasileiro, 1997), citando, em seguida, Joseph Folliet ( "Tu seras journaliste". Lyon: Chronique Sociale de France, 1961): Esse gênero exige muita intuição, delicadeza, perfeito conhecimento do assunto, do entrevistado, de sua vida e de sua obra, uma grande probidade - um exterior, enfim, que inspire confiança e incite à confidência.

Na opinião do professor de jornalismo da Federal de Santa Catarina, Nilson Lage

("A Reportagem - teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística". São Paulo: Record, 2001) a palavra entrevista é ambígua. Ela tanto significa o diálogo com a fonte, como a matéria publicada.

2. ESTRATÉGIAS

Grandes entrevistadores adquirem técnicas que transformam o jogo de perguntas e respostas numa espécie de xadrez, conseguindo arrancar declarações que o entrevistado não pretendia fazer.

Mas não basta ter experiência. É preciso trabalhar duro antes da entrevista, pesquisando tudo sobre os temas a serem tratados e sobre o entrevistado.

Depois de bem preparado (de preferência um ou mais dias antes) o entrevistador deve fazer um roteiro com começo, meio e fim. O objetivo não é bitolar e restringir o desempenho do entrevistador, mas ser uma base referencial para evitar "brancos" e atropelos.

É importante que o entrevistador seja o condutor da entrevista. Mas só estará no comando se estiver bem informado e bem preparado. "É estimulante para o entrevistado, nos momentos em que a fala se interrompe, perceber que o entrevistador está compreendendo o enunciado...se o entrevistado declarou que a economia vai bem, uma observação óbvia, tal como 'o senhor é então otimista quanto aos acontecimentos do futuro próximo' vale não por seu conteúdo, mas pela demonstração de interesse e entendimento. Dependendo, no entanto, das circunstâncias, pode ser conveniente apresentar um dado de contestação, no momento adequado, para obter maior espontaneidade, expansão ou aprofundamento", ensina o professor Lage.

O ideal é que a entrevista flua espontaneamente, cada resposta permitindo o "encaixe" da pergunta seguinte.

Afirma Carlos Tramontina que "a estratégia mais produtiva é aquela baseada na informação: jamais um entrevistado experiente conseguirá fugir das perguntas ou esconder os fatos se diante dele estiver sentado um entrevistador cheio de informações".

Exemplo:

Em fevereiro de 1969, ao entrevistar o temível General Vo Nguyen Giap, em Hanói, sobre a guerra que ele comandava, no Vietnã do Norte, contra os americanos e os sul-vietnamitas, entre o final dos anos 60 e início dos anos 70, a jornalista italiana Oriana Falacci, trabalhando para o jornal "L'Europeo", levou o líder vietnamita a revelar, com franqueza inédita, tudo o que pensava sobre seus inimigos americanos, conforme conta Fábio Altman ( obra citada ).

Bem preparada para a entrevista, Oriana teve o cuidado de levar para o tenso ambiente do seu interlocutor duas companheiras que faziam as anotações enquanto ela enfrentava o olhar fixo do General. Nesses casos é impossível ao repórter anotar e dialogar ao mesmo tempo.

Foi nesse clima que a jornalista italiana ousou contradizer o entrevistado classificando de derrota do Vietnã do Norte a ofensiva do Tet. Segundo ela contou depois, o General se levantou nervoso, caminhou ao redor da mesa e, com braços estendidos, exclamou: "Diga isto à Frente de Libertação".

Oriana respondeu: "Primeiro estou perguntando ao senhor, General".

É prática usual entre entrevistadores mais experientes usar a estratégia de começar a entrevista com atitudes ou comentários bem humorados para deixar o interlocutor à vontade, referindo-se a um jogo importante ou a algo curioso e de conhecimento comum.

Em 27 de junho de 1989, ao entrevistar o Deputado Ulisses Guimarães, Jô Soares pediu ao garçom que lhe servisse uma dose de "poire" ( licor de pêra ), bebida preferida do Sr. Diretas e de seus colaboradores mais próximos.

No dia seguinte, ao entrevistar outro candidato à Presidência da República, Jô chamou a atenção para o sapato Vulcabrás 752 que Paulo Maluf usava e do qual era garoto-propaganda.

Carlos Tramontina diz que "constrangimentos entre quem pergunta e quem responde fazem parte da atividade da imprensa. Geralmente os homens públicos, que têm mais experiência no contato com a mídia, não se surpreendem". Esse tipo de entrevista é definida como "confronto" por Nilson Lage: "É a entrevista em que o repórter assume o papel de inquisidor, despejando sobre o entrevistado acusações e contra-argumentando, eventualmente com veemência, com base em algum dossiê ou conjunto acusatório. O repórter atua, então, como promotor em um julgamento informal. A tática é comum em jornalismo panfletário, quando se pretende 'ouvir o outro lado' sem lhe dar, na verdade, condições razoáveis de expor seus pontos de vista". O autor reconhece que muitas vezes esse tipo de entrevista pode transformar-se num espetáculo de constrangimento, principalmente quando transmitida ao vivo, no rádio ou na televisão.

Para Alexandre Garcia, "a pergunta embaraçosa pode ter duas conseqüências: desmontar o entrevistado a ponto dele contar tudo o que sabe, ou irritá-lo a ponto de passar a responder tudo com monossílabos", matando a entrevista.

Alexandre recomenda que o repórter estude o perfil psicológico do entrevistado para saber se deve conduzir a entrevista "batendo ou assoprando".

Ele também ensina a preparar emboscadas para o entrevistado: Você faz uma pergunta sabendo de antemão qual será a resposta, porque ela é óbvia, previsível, ou porque já foi dada antes. Logo em seguida faz a pergunta-chave da entrevista.

É uma estratégia que se aplica melhor às entrevistas longas.

Às vezes é o caso de entrar direto no assunto, como fizeram os repórteres de Veja ao entrevistar Pedro Collor a quem a mãe, Leda, vivia pedindo que fosse ao médico examinar a cabeça. Naquela entrevista, segundo os repórteres, a primeira pergunta foi: "O Senhor se considera louco? " É um modo de balizar o terreno para que o leitor saiba com quem está falando. Se Pedro Collor admitisse problemas mentais suas declarações não teriam a mesma força. Morreu tempos depois com um tumor na cabeça...

Em determinados casos, o experiente Alexandre Garcia usa outra estratégia que exige muito domínio da situação:

- Eu me finjo de bobo, que não sei das coisas, para que o entrevistado sinta-se mais forte, superior a mim e seguro de si. Nessa situação ele fica mais à vontade, revela mais coisas e abre a guarda. É aí que eu entro.

Alexandre diz que age assim porque, na sua opinião, o entrevistado tem medo do jornalista, pois uma entrevista publicada pode gerar muitas conseqüências.

A história está cheia de exemplos sobre a força que uma entrevista tem em certas circunstâncias. A entrevista de Getúlio Vargas a Samuel Wainer na estância gaúcha do ex-presidente, publicada por "O Jornal", do Rio de Janeiro, em 03/03/1949, abriu caminho para a volta do ditador ao poder.

A já citada entrevista de Pedro Collor provocou o impeachment de Fernando Collor e o desbaratamento do Esquema PC.

As entrevistas em off conseguidas por Carl Bernstein e Bob Woodward, no caso Watergate, levaram à renúncia o homem mais poderoso do mundo, o Presidente dos Estados Unidos da América ( Richard Nixon ).

Costuma-se datar o início da revolução sexual feminina, no Brasil, a partir da entrevista que Leila Diniz deu ao "Pasquim" em 21-26.11.1969, ao chegar dos EUA.

3. CUIDADOS

Alguns cuidados ajudam o entrevistador a evitar problemas na hora de transformar a entrevista em notícia.

Uma precaução é sustentar o diálogo com o entrevistado tratando-o do modo mais coloquial, seja pelo primeiro nome ou pelo cargo, conforme as circunstâncias: Soaria ridículo tratar um cantor popular ou um ator de "Senhor": , Sr. Chico Buarque, Sr. Caetano Veloso, Sr. Roberto Carlos, Sra. Carla Peres...Nos diálogos com um deputado, um ministro, um senador, usa-se o nome do cargo. Em coletivas ou locais solenes, chama-se o Presidente da República de "Sr. Presidente".

É preciso desenvolver, também, uma técnica pessoal para observar se o entrevistado está mentindo. A este respeito, conta Luiz Amaral que depois de entrevistar milhares de homens e mulheres sobre casos sexológicos, o dr. Alfred Kinsey respondeu, certa vez, ao lhe indagarem se ele sabia até que ponto eram verdadeiras, ou não, as confissões que lhe eram feitas: 'É muito simples. Eu as encaro de frente. Inclino-me para diante. Faço as perguntas rapidamente, uma depois da outra. Não as perco de vista. Naturalmente, se vacilam posso saber que estão mentindo".

Em casos de entrevistas ao vivo pode acontecer o acidente do "dar um branco", mesmo quando se entrevistam pessoas que o país inteiro conhece. Nunca é demais ter o nome do entrevistado bem à mostra, além do seu cargo exato.

Conta-se que até o experiente Boris Casoy já sofreu com isto porque o editor se esqueceu (ou achou que nem precisava ) de colocar no script do apresentador o nome do entrevistado daquela noite, no SBT. E na hora de apresentar o entrevistado, entre uma matéria e outra, Boris começou: "Estamos aqui com um grande nome da Música Popular Brasileira, um homem extremamente conhecido de vocês, que agora está atuando na política...vereador em Salvador...um compositor maravilhoso...um compositor de mão-cheia...."

A apresentação não acabava mais porque Boris não conseguia lembrar-se do nome de Gilberto Gil sentado à sua frente, saindo-se com esta: "Ele dispensa apresentações".

"Mais do que em qualquer outro veículo, a entrevista televisiva devassa a intimidade do entrevistado, a partir de dados como sua roupa, seus gestos, seu olhar, a expressão facial e o ambiente. A produção, nos talk shows televisivos, é geralmente mais cuidada e o entrevistador, violando um dos preceitos básicos da entrevista jornalística, pode tornar-se a estrela do programa, com todo prejuízo que isso traz para a informação - não necessariamente para o espetáculo", observa Nilson Lage. Para o rádio, ele recomenda um tom mais coloquial

É importante, ainda, entender porque as pessoas geralmente gostam de dar entrevistas. Não é apenas porque precisam se comunicar, mas por vaidade, na avaliação de Boris Casoy. Por isto ele acha que um elogio inicial "lubrifica" e a pessoa acaba liberando as portas de sua intimidade, permitindo que o entrevistador chegue à caixa-preta.

Para Joelmir Beting (também citado no livro de Tramontina) as pessoas dão entrevistas porque têm informações, idéias ou propostas importantes. Outros, por interesses pessoais ou financeiros. Querem mostrar a empresa, a associação, o sindicato ou o órgão de governo ao qual pertencem.

Mas Joelmir também não se esquece da vaidade: "O pior é que muitos não estão preparados e acabam falando o que não devem, vendo publicado o que não gostariam".

Exemplo foi a entrevista do ex-ministro da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Walter Werner Brauer, que enviou carta à Revista Veja de 10.01.2.000 desmentindo referências elogiosas a Hitler contidas na entrevista concedida à repórter Sandra Brasil na edição anterior.

Joelmir conta, com orgulho, que não é amigo de nenhum ministro ou qualquer outra autoridade do governo. Faz questão de não dever favores porque quer se manter livre e independente em seu trabalho.

4. GRAVAR OU ANOTAR

Cada repórter desenvolve um método pessoal de documentar a entrevista. Alguns preferem confiar na memória, o que é perigoso quando a declaração envolve números ou nomes de difícil entendimento. Outros preferem anotar, porém em alguns casos é difícil sustentar um diálogo e anotar ao mesmo tempo, como já foi visto na técnica usada por Oriana Fallaci ao entrevistar o General Giap. O mais garantido é gravar. Mas até isto pode dar problemas porque o gravador pode falhar e surpreender o repórter na fatídica hora do fechamento do jornal. O recomendável é, além de gravar, reconstituir a entrevista com base em palavras-chaves que o repórter anota, indicando os temas principais na sequência em que ocorreram. Isso geralmente basta para, passado um período curto de tempo, reproduzir com bastante fidelidade, discursos não muito extensos ou complicados (Lage 2001). Também há entrevistados que se intimidam com o gravador ligado, temendo falar alguma bobagem e não poder voltar atrás ou com receio de que a gravação se torne um documento de uso futuro.

Cada caso é um caso.

Boris Casoy, por exemplo, no depoimento a Tramontina (obra citada ) conta que, quando trabalhava em jornal impresso, preferia gravar a entrevista com dois gravadores por via das dúvidas.

Também há diferentes modos de veicular a entrevista. Ela pode servir apenas como banco de dados para reforçar uma reportagem; as citações podem ser colocadas entre aspas ao longo do texto corrido ou também se pode usar o já referido formato de perguntas e respostas, tal como foi gravada a entrevista.

Nos casos de denúncias, este último é o melhor sistema porque não deixa margem a dúvidas sobre a interpretação do repórter. Foi o que aconteceu com o "grampo do BNDES" em 1999. A "Folha de S. Paulo" soltou o conteúdo das fitas aos poucos, reproduzindo na íntegra os diálogos que comprometeram ministros e autoridades do Governo FHC com favorecimentos na privatização da telefonia no país.

Boris Casoy ensina que o entrevistador não deve ter vergonha de perguntar tudo o que precisa saber, senão fará um texto falho, incompleto. "O bom profissional é aquele que consegue transmitir para o leitor, num texto sintético e conciso, todos os conceitos, com precisão",diz.

5. DIREITOS DO ENTREVISTADO

Além das técnicas de entrevista, o jornalista também deve levar em conta os direitos do entrevistado. Segundo Caio Túlio Costa (“O Relógio de Pascal – A Experiência do Primeiro Ombudsman da Imprensa Brasileira”.São Paulo: Siciliano, 1991), nos EUA as vítimas de entrevistas deturpadas ou fraudadas podem recorrer ao Centro Nacional das Vitimas, com sede em Forth Worth, no Texas, que defende os seguintes direitos dos entrevistados:

. Você tem o direito de dizer não a um pedido de entrevista.

. Você tem o direito de escolher um porta-voz ou um advogado da sua preferência.

. Você tem o direito de escolher a hora e o local para entrevistas aos meios de comunicação.

. Você tem o direito de requisitar um repórter de sua escolha.

. Você tem o direito de recusar entrevista a um repórter específico, mesmo que você tenha prometido entrevistas a outros repórteres.

. Você tem o direito de dizer não a uma entrevista mesmo que você tenha dito anteriormente que daria entrevistas.

. Você tem o direito de excluir crianças de entrevistas

. Você tem o direito de não responder questões que julgue inconfortáveis ou inapropriadas.

. Você tem o direito de saber com antecedência quais direções a história vai tomar.

. Você tem o direito de pedir para rever suas declarações antes da publicação.

. Você tem o direito de recusar coletivas de imprensa e falar com cada repórter por vez.

. Você tem o direito de pedir retratação quando informações imprecisas forem reportadas.

. Você tem o direito de pedir que fotografias ofensivas sejam omitidas na publicação ou que imagens idem não sejam levadas ao ar.

. Você tem o direito de dar entrevistas na televisão mostrando apenas a silhueta ou solicitar que sua foto não seja publicada.

. Você tem o direito de recusar-se a responder perguntas de repórteres durante julgamento.

. Você tem o direito de processar um jornalista.

. Você tem o direito de sofrer na privacidade.

. Você tem o direito a todo momento de ser tratado com dignidade e respeito pelos meios de comunicação”.

Caio Túlio comenta que “tudo isto tem muito a ver com o que os americanos chamam de fair play, o jogo limpo, a transparência do jornalista para com seu entrevistado e seus leitores”.

6. ORGANIZAÇÃO

Além de fazer a entrevista e de publicá-la, muitas vezes é necessário planejar e organizar o encontro entre a fonte e a imprensa. É o caso do jornalista que exerce funções de Assessor de Imprensa nas empresas, nos órgãos públicos etc.

As entrevistas podem ser organizadas de vários modos. Elas podem se dar nos gabinetes ou nas redações; podem ser ao vivo ou por telefone, fax, Internet etc. Podem ser pessoais ou de grupo (coletivas ); exclusivas ou não; convocadas ou espontâneas; anônimas ( como nas pesquisas ) ou não; em off ( como no caso Watergate ) ou em on; simples ( com poucos repórteres ) ou americanas ( com maior organização dos entrevistadores); de rotina ( ouvindo testemunhas de um acidente de trânsito por exemplo ) ou caracterizadas ( quando alguém informa ou opina sobre assuntos políticos, econômicos, esportivos etc ); biográficas ( com perfis de personalidades ou de pessoas que se destacam no meio do povo, na cultura, nas artes etc); informativas; opinativas etc.

Na entrevista coletiva simples, com poucos repórteres à mesa, o entrevistado, em geral, faz um breve resumo dos fatos. As perguntas são aleatórias, de modo espontâneo. O esquema abaixo dá uma idéia (segundo KOPPLIN, Elisa e FERRARETO, Luiz Artur. "Assessoria de Imprensa Teoria e Prática". Porto Alegre: Sagra-DC Luzzatto, 1993) da organização desse tipo de entrevista:


RÁDIO JORNAIS CINEGRAFISTAS

ENTREVISTADO e

TELEVISÃO REVISTAS FOTÓGRAFOS

Conforme os mesmos autores, a Coletiva Americana é mais elaborada. O entrevistado ou o porta-voz fica mais distante dos repórteres, em um auditório. O número de perguntas e a duração máxima de cada uma é distribuída em função do número de veículos credenciados previamente e conforme o tempo de que dispõe o entrevistado para o encontro com a imprensa. Ao formular a pergunta, o profissional deve se identificar, bem como ao veículo que representa, fazendo perguntas claras e objetivas, estando preparado para repetir se for solicitado. Neste caso a ilustração ficaria assim:

ACOMODAÇÕES ACOMODAÇÕES

Microfone

DO ENTREVISTADO DOS JORNALISTAS

Geralmente a Assessoria de Imprensa procura facilitar o trabalho dos jornalistas fornecendo material de apoio e infra-estrutura ( release, press-kit etc)

Às vezes exige-se que as perguntas sejam apresentadas à mesa por escrito, podendo haver mais de um entrevistado. Assim todos podem participar e há a possibilidade de se apresentar mais esclarecimentos ao jornalista após a coletiva, além de ser possível responder questões que não foram respondidas no momento por falta de tempo.

Tato Taborda ("A Entrevista Coletiva". Cadernos de Jornalismo e Comunicação, 30. Rio de Janeiro, maio/junho: 1971) afirma que "toda entrevista coletiva tende a se transformar num jogo de inteligência. De um lado, o entrevistado disposto a declarar apenas o que lhe interessa, do outro o entrevistador que, na pressa de ser ouvido, corta o impacto da indagação do colega". Por isto, quanto maior a organização da entrevista, melhor para todos. Porém esse tipo de entrevista organizada torna-se quase impossível em situações de emergência, quando o entrevistado precisa responder questões urgentes sobre emergências nacionais ou internacionais, catástrofes, epidemias, tragédias etc.Em tais situações o jornalista deve estar preparado para enfrentar um clima tenso e conseguir informações em situações quase caóticas, em meio ao tumulto das circunstâncias. A coletiva inicial do Presidente Johnson foi dada em pleno vôo do "Air Force One" enquanto o corpo de Kennedy ainda estava no hospital, em Dallas.

Nas entrevistas com pessoas especializadas, o repórter deve redobrar os cuidados de anotação para não cometer gafes imperdoáveis ao redigir a matéria. É sempre conveniente deixar o próprio telefone ou o e-mail com o entrevistado (nas entrevistas individuais, ou com o assessor, nas coletivas ) e anotar o dele para qualquer troca de informações durante o fechamento do jornal.

Costuma-se comparar uma redação de jornal - na hora do fechamento da edição - ao convés de um navio de guerra em plena ação. Umberto Eco usa a imagem de uma “caixa preta” para descrever o “caos organizado” de uma redação de jornal. Nessas circunstâncias é desesperador para o repórter não ter em mãos uma bem organizada lista de telefones para contatos urgentes com as fontes. Muitas vezes perde-se a chance de ver a própria matéria na manchete do dia seguinte por falta de meios para confirmar uma informação imprescindível. Jornalista iniciante que perde oportunidades por desorganização está abrindo mão de uma carreira ascendente.

Em determinadas situações parte da entrevista exclusiva é dada em off. O repórter deve ter a habilidade de respeitar o pedido de off para preservar sua fonte. Sem boas fontes um repórter não é ninguém. Nestes casos as informações em off devem ser atribuídas a "uma fonte bem informada da empresa"..."técnicos da área"....."especialistas no assunto"...etc.

Nas entrevistas de rotina nem sempre é possível citar o nome e a qualificação de todos que falaram (como ocorre nas pesquisas sobre preços de combustíveis ou preços de supermercados etc). A informação deve, então, ser atribuída a fontes generalizadas: "Alguns proprietários de postos de gasolina afirmam que o consumo de gasolina caiu cerca de 40% na cidade depois do último aumento autorizado pelo governo". Ou: "Segundo testemunhas, o motorista do ônibus argentino foi o culpado pelo acidente que matou 38 turistas, ontem, numa curva da BR 101, em Santa Catarina, perto de Joinville".

Chama-se "caracterizada" a entrevista em que a fonte aparece claramente identificada: "Quero esclarecer que não convidei mais ninguém para o cargo", garantiu ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso, desmentindo declarações de que teria sondado outros nomes, além do Procurador-Geral da República, Geraldo Quintão, para o cargo de Ministro da Defesa, em substituição a Élcio Álvares.

Nas entrevistas de rua, tipo "povo-fala", "pesquisa" etc é conveniente qualificar o entrevistado citando, além do nome, idade, profissão e região onde mora. De acordo com o assunto da entrevista, esses dados são fundamentais. É relevante, numa entrevista sobre sexo antes do casamento, por exemplo, ou sobre topless em Copacabana, se o entrevistado tem 17 ou 77 anos. Do mesmo modo é determinante se o elogio dirigido à política do governo veio do deputado do PT ou do PFL.

Às vezes é necessário dar mais detalhes sobre o entrevistado. Se a entrevista de rua é sobre recursos que os taxistas usam para poupar combustível e se isto, de algum modo, beneficia o usuário, é bom citar também a placa do carro que o entrevistado dirige e seu ponto de parada, pois o bom jornalismo deve ter sempre o sentido de serviço ao leitor.

7. COMO FAZER

O manual da Folha de São Paulo diz que o segredo de uma boa entrevista está na elaboração de um bom roteiro:

- Levante sempre o máximo de informações sobre o entrevistado e o tema que ele vai tratar.Em seguida, reflita sobre o objetivo a que pretende chegar. O melhor caminho é redigir perguntas tão específicas quanto possível. Perguntas muito genéricas resultam em entrevistas tediosas.

Os repórteres da Folha também recebem estas orientações:

-Ao transcrever a entrevista, o repórter deve corrigir os erros de português ou problemas da linguagem coloquial quando for imprescindível para a perfeita compreensão do que foi dito. Mas não se pode trocar as palavras ou mudar o estilo da linguagem do entrevistado. Se relevantes, eventuais erros ou atos falhos do entrevistado podem ser destacados com a expressão latina "sic" entre parêntesis na frente da palavra ou frase. É recomendável preservar a ordem original das perguntas.

E ainda:

a) Marque a entrevista com antecedência;

b) Informe o entrevistado sobre o tema e a duração do encontro;

c) Grave a entrevista para poder reproduzir com absoluta fidelidade eventuais declarações curiosas, reveladoras ou bombásticas;

d) Vista-se de modo adequado a não destoar do ambiente em que será feita a entrevista, para não inibir ou agredir o entrevistado;

e) Faça perguntas breves, diretas, que não contenham resposta implícita;

f) Identifique contradições, mencione pontos de vistas opostos e levante objeções sem agredir o entrevistado;

g) Não deixe de abordar temas considerados "sensíveis" pelo entrevistado. Faça perguntas diretas e ousadas. Insista quantas vezes achar necessário se o entrevistado se recusar a responder a alguma pergunta;

h) Registre essa recusa se for significativa;

I) O entrevistado tem o direito de retificar ou acrescentar declarações. Se for relevante, o repórter pode registrar as duas versões (original e posterior).

8. OUTRAS RECOMENDAÇÕES

a) Evitar perguntas fechadas, isto é, que só admitem monossílabos como resposta. ( "O Sr. é a favor ou contra a candidatura de Lula à Presidência?". Uma pergunta aberta seria: "Porque o Sr. apóia Lula para Presidente?");

b) O repórter deve responder brevemente se o entrevistado pedir a opinião dele;

c) Quando o entrevistado foge do assunto, o repórter deve usar a pergunta seguinte para trazê-lo de volta ao tema;

d) Procurar ser bem-humorado no diálogo, porém sem exageros que destoem;

e) Agir com segurança e naturalidade, mostrando que sabe o que quer;

f) Ao ouvir uma resposta-bomba, o repórter não deve revelar entusiasmo porque essa reação pode levar o entrevistado a pedir o cancelamento da declaração, receoso das conseqüências;

g) Não se deve usar exclamações para comentar as respostas ("puxa! "..."quem diria!"..."não me diga!".)

h) as perguntas podem ser de esclarecimento ("quantos operários foram demitidos?"), de análise ("que motivos a empresa deu para as demissões?"), de ação ("o que o sindicato pretende fazer agora?");

I) Perguntas muito longas podem complicar a vida do repórter se o entrevistador pedir que ele repita;

J) Não se deve misturar várias perguntas ao mesmo tempo ("qual seu nome, idade, trabalho atual e a situação do seu bairro?");

l) Perguntas muito amplas confundem o entrevistado ("como o Sr. vê a situação da humanidade de Adão até nossos dias?");

m) O repórter deve acompanhar com total atenção as respostas do entrevistado;

n) O entrevistado deve ser alertado para o fim da entrevista ("agora uma última pergunta"..."para terminar"...."o Sr. gostaria de acrescentar mais alguma coisa?")

Mário Erbolato relaciona, entre outros já vistos, os seguintes procedimentos na preparação do repórter para a entrevista:

a) Chegue ao local da entrevista na hora combinada, se possível com alguma antecedência;

b) Ajude o entrevistado, se necessário, a expor as suas opiniões. Conduza a entrevista;

c) Não corte as respostas. Espere que cada uma delas termine para formular a próxima pergunta;

d) Faça as perguntas no mesmo nível de quem responde: Às vezes trata-se de pessoa humilde que tem informações sobre determinado fato, mas se ficar amedrontada negará esclarecimentos preciosos para o jornal;

e) Prepare o terreno para cada pergunta. As coisas mais indiscretas podem ser indagadas se o jornalista tiver o cuidado de ir-se conduzindo com habilidade.

9 - QUEM É A ESTRELA?

O comportamento de alguns repórteres de vídeo deixa dúvidas sobre quem deve ser a "estrela" da entrevista. Todos sabem que a "estrela" deve ser sempre o entrevistado, "por mais conhecido e vaidoso que seja o repórter", observa Nilson Lage. Segundo ele, espera-se que o repórter seja discreto, como coadjuvante e, ao mesmo tempo, diretor de cena: "Entrevistados podem ser malcriados ou tentar intimidar o repórter; este não deve irritar-se nem deixar-se intimidar".

A exemplo de outros autores, também Nilson Lage lembra que, durante a entrevista, uma das chaves é saber perguntar em cima da resposta. Outra é manter o comando da conversa impedindo que o entrevistado se desvie do tema. Em algumas situações, quando isto acontece, a melhor estratégia, conforme Lage, é apresentar nova pergunta, mudando o assunto, para retomar posteriormente ao ponto problemático. "Não se deve questionar mais do que o necessário nem insistir em linhas de questionamento que se constatam improdutivas", ensina.

Há muitos casos em que a entrevista precisa ser feita por telefone. Lage observa: "O telefone é um meio muito útil para a apuração de informações, mas suprime algumas condições facilitadoras da entrevista, tais como o ambiente controlado e a presença do outro”.

Outro modo, hoje muito usual, de se entrevistar à distäncia, é via e-mail. Aliás, com a Internet não apenas os jornalistas encontram inúmeras facilidades em seu trabalho, mas os próprios estudantes de jornalismo podem partir para contatos diretos no mercado, colocando em prática as teorias aqui aprendidas sobre a arte de entrevistar, por exemplo. No caso de conversas on-line, tipo ICQ, o resultado depende, em parte, da destreza do entrevistado na digitação. Muitas pessoas perdem a espontaneidade quando escrevem. E se digitam lentamente, as respostas "tenderão a ser formais, como as que se obtém em um questionário escrito"( Lage 2001).

Fonte: Prof. MS Pedro Celso Campos

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ABRIR (OU FECHAR) COM CHAVE DE OURO

ACABAMENTO FINAL

ACERTAR OS PONTEIROS

ACRESCENTAR MAIS UM

ADIAR PARA DEPOIS

A DURA PENAS

AERONAVE (USE AVIÃO)

AGORA JÁ

AGRADAR A GREGOS E TROIANOS

AGENTE DA LEI

À GUISA DE

ALTO E BOM SOM

AMBOS OS DOIS

A MIL

A NÍVEL DE (ALÉM DE SER UM LUGAR-COMUM, É UMA CONSTRUÇÃO ERRADA. USE “EM NÍVEL DE”)

ANOS DOURADOS

AO MESMO TEMPO

APAIXONADA DEFESA

APARAR AS ARESTAS

APERTAR O CINTO

AQUECER AS TURBINAS

ARREBENTAR A BOCA DO BALÃO

A SETE CHAVES

AS MAIS ALTAS AUTORIDADES CIVIS E MILITARES

ATAQUE FULMINANTE

ATINGIR EM CHEIO

A TODO VAPOR

A TOQUE DE CAIXA

ATUAL ESTÁGIO DAS OBRAS

AUDACIOSA MANOBRA

BANCO DE RÉUS

BÁRBARO ASSASSINATO

BATER EM RETIRADA

CADÁVER DO MORTO

CAIR COMO UMA BOMBA

CAIR COMO UMA LUVA

CALOR SENEGALESCO (OU ESCALDANTE)

CANTAR VITÓRIA

CARRO-CHEFE

CAUSA-MORTIS

CAUSAR ESPÉCIE

CENAS DANTESCAS

CHEFE DO EXECUTIVO (USE GOVERNADOR, PRESIDENTE, PREFEITO)

CHEGAR A UM DENOMINADOR COMUM

CHOVER A CÂNTAROS

CHOVER NO MOLHADO

CHUMBO GROSSO

COLHIDO PELO VEÍCULO

COLOCAÇÃO (POR OPINIÃO, COMENTÁRIO)

COLOCAR UM PONTO FINAL

COM A BOLA (OU CORDA) TODA

COM RAPIDEZ DE UM RAIO

COMO NOS CONTOS DE FADAS

COMPLEXO VIÁRIO

COMCLUSÃO FINAL

CONDIÇÃO SINE QUA NON

CONJULGAR ESFORÇOS

CONQUISTAR ESPAÇOS

CONSTERNAR PROFUNDAMENTE

CONTABILIZAR (COMO SOMAR, TOTALIZAR)

CONTINUAR AINDA

CONVIVER JUNTO

COROADO DE ÊXITO

CRIAR NOVOS

CRIVAR DE BALAS

CUMPRIR EXTENSO PROGRAMA

CURTIR

DANOS MATERIAIS DE GRANDE MONTA

DAR COM OS BURROS N ‘ ÁGUA

DAR O ÚLTIMO ADEUS

DATA NATALÍCIA

DEBELAR AS CHAMAS

DEITAR E ROLAR

DEIXAR A DESEJAR

DE MÃO BEIJADA

DESBARATAR A QUADRILHA

DESCER PARA BAIXO

DESCULPA ESFARRAPADA

DESPONTA NAS PREFERÊNCIAS

DE REPENTE, NÃO MAIS DO QUE DE REPENTE

DETONAR (PRO PROVOCAR, DESENCADEAR)

DE VENTO EM POPA

DIMENSIONAMENTO

DIRIMIR DÚVIDAS

DISCORRER SOBRE O TEMA

DISCUSSÃO ACALORADA

DISPENSA APRESENTAÇÃO

DIZER COBRAS E LARGATOS

DIVISOR DE ÁGUAS

DO OIAPOQUE AO CHUÍ

EDIL (USAR VEREADOR)

ELEMENTO (COMO INDIVÍDUO)

ELO DE LIGAÇÃO

EM COMPASSO DE ESPERA

EM GRANDE ESTILO

EMINENTE PERSONAGEM

EM PONTO DE BALA

EM SÃ CONSCIÊNCIA

EM ÚLTIMA ANÁLISE

ENCARAR DE FRENTE

ENSAIR OS PRIMEIROS PASSOS

ENTE QUERIDO

ENTRAR EM ROTA DE COLISÃO

ENTRAR PARA DENTRO

ENTREMENTES

EQUACIONAMENTO

ERÁRIO PÚBLICO

ESTÁ NA SUA

ESTRELAS DO CÉU

EXITOSO

FACA DE DOIS GUMES

FAMÍLIAS INCONSOLÁVEIS

FAZER DAS TRIPAS CORAÇÃO

FICAR À DERIVA

FINCAR PÉ

FORÇAS VIVAS

FORTES CONTIGENTES MILITARES

FORTUNA INCAUCULÁVEL

FUGIR DA RAIA

GALERA (COMO TORCIDA, PLATÉIA)

GANHAR GRÁTIS

GENITOR (A)

GENTILMENTE CEDIDO

GUARDADO AS SETE CHAVES

HÁ...ATRÁS (USAR APENAS UM DELES)

HABITAT NATURAL

HISTÓRIA PASSADA

HORA DA VERDADE

IMPERDÍVEL

INSERIDO NO CONTEXTO

INSTRUMENTALIZAÇÃO

IRONIA DO DESTINO

ISTO POSTO

JOGAR A PÁ DE CAL

JOGO DE VIDA OU MORTE

LARÁPIO

LEQUE DE OPÇÕES (OU ALTERNATIVAS)

LOGRADOURO

LUGAR AO SOL

MALHA VIÁRIA

MANDATÁRIO

MANTER (OU CONTINUAR, PERMANECER) O MESMO

MÃO DE FERRO

MATRIMÔNIO (USE CASAMENTO)

MAU TEMPO REINANTE

MAXIMIZAÇÃO, MINIMIZAÇÃO

MEDIDAS DRÁSTICAS

MELIANTE

MONOPÓLIO EXCLUSIVO

MORRER AO DAR ENTRADA NO HOSPITAL

MORRER DE AMORES

MORTO PREMATURAMENTE

MULHER DO MORTO (USE VIÚVA)

MUNICIPALIDADE

NA FLOR DA IDADE

NA FLOR DA PELE

NÃO OBSTANTE

NA OPORTUNIDADE

NA ORDEM DO DIA

NAU SEM RUMO

NECRÓPOLE

NO BOJO DE

NOSOCÔMIO

OUTROSSIM

PÁGINA VIRADA

PALAVRA DE ORDEM

PARADIGMÁTICO

PAÍSES DO MUNDO

PARLAMENTARES

PARECE QUE FOI ONTEM

PASSAR EM NUVENS BRANCAS (OU EM BRANCO)

PENSAMENTO POLÍTICO DOMINANTE

PERDER O BONDE DA HISTÓRIA

PERMANECE INALTERADO

PINTAR (COMO SURGIR)

PODER DE FOGO

POMO DA DISCÓRDIA

PÔR A CASA EM ORDEM

PÔR A MÃO NA MASSA

PÔR A BARBA DE MOLHO

PÔR AS CARTAS NA MESA

POR CONSEGUINTE

POR OUTRO LADO

POSIÇÃO, POSICIONAMENTO, POSICIONA-SE

POSTULANTE

PRECIOSO LÍQUIDO

PREÇO SALGADO

PREFEITURA MUNICIPAL

PREENCHER A LACUNA

PRENDAS DOMÉSTICAS

PROBLEMATIZAÇÃO

PROEMINENTE CIDADÃO

PROFESSORES QUE ENSINAM

PROPRIAMENTE DITO

QUADRO POLÍTICO NACIONAL

QUEM VIVER VERÁ

RECEBEU O SINAL VERDE

RELAÇÕES BILATERAIS ENTRE OS DOIS PAÍSES

RELEVANTE SERVIÇO

REPETIR DE NOVO

REQUINTES DE CRUELDADE

RESPIRAR ALIVIADO

RETA FINAL

SAGRA-SE CAMPEÃO

SAIR PARA FORA

SARAIVADA DE BALAS

SENDO QUE

SENTIR FIRMEZA

SEPARAR O JOIO DO TRIGO

SINISTRO (COMO INCÊNDIO)

SOB OS AUSPÍCIOS DE

SOB O SIGNO DE

SOFRER MELHORA

SOLDADO DE FOGO

SOLENIDADE DE PRAXE

SORRISO NOS LÁBIOS

SUBIR PARA CIMA

SURPRESA INESPERADA

TÁBUA DE SALVAÇÃO

TECER COMENTÁRIOS

TIRAR DO BOLSO DO COLETE

TIRAR O CAVALO DA CHUVA

TIRAR UMA POSIÇÃO (POR DIFINIR-SE)

TIRO DE MISERICÓRDIA

TÍTULAR DAQUELA PASTA

TODA VIA

TODOS SÃO UNÂNIMES

TODOS SEM EXCEÇÃO

TRAFEGAM POR AQUELA ARTÉRIA

TRAIR-SE PELA EMOÇÃO

TRANSAR

TRATATIVA

TRAZER À TONA

TROCAR FARPAS

ULTIMANDO PREPARATIVOS

VERDADEIRO CAOS

VEREADORES DA CÂMARA MUNICIPAL

VIA DE REGRA

VIDA DE CACHORRO

VÍTIMA FATAL

VALTAR À ESTACA ZERO

VIÚVA DO FALECIDO

Fonte: O Estado de São Paulo

Livros_Rádio

Relação de Livros


A Linguagem do Rádio - Estratégias Verbais do Comunicador - Ântonio Carlos Xavier.

Manual de Jornalismo da Radiobrás - Produzindo Informações Objetivas em uma Empresa Pública de Comunicação - Organização de Cekso Nucci

Produção de Rádio - Um Manual Prático - Magaly Prado

Sobre Entrevistas - Stela Guedes Caputo

Fundamentos do Radiojornalismo - Paul Chantler / Peter Sterwart

Como Falar no Rádio - Prática de Locução AM e FM dicas e toques - Cyro César

Manual de Radiojornalismo - Heródoto Barbeiro / Paulo Rodolfo de Lima

Rádio em Todos as Ondas - Luiz Maranhão Filho

Jornalismo de Rádio - Milton Jung

Estrutura da Informação Radiofônica - Emílio Prado

Notícia no Ar - Valdir Oliveira

Rádio - Inspiração, Tranpiração e Emoção - Cyro César

Teorias do Rádio - Volume 1 - Eduardo Meditsch - Organizador

Como Falar no rádio: Prática de Locução AM e FM, Dicas e Toques - Cyro César

Manual de Radiojornalismo - Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo

A Linguagem do Rádio: Estratégias Verbais do Comunicador - Antônio Carlos Xavier

Jornalismo Radifônico e Vinculação Social - Mozhi Salomão

Rádio: A Arte de Falar e Ouvir - Série Laboratório - Edições Paulinas

A Entrevista Coletiva - Manuais de Comunicação Nº 5

Produção de Rádio: Um Guia Abrangente de Produção Radiofônica - Robert Mcleish

Entrevistas_Verbos

ENTREVISTA JORNALÍSTICA: VERBOS E LOCUÇÕES VERBAIS


Emprego dos discursos direto e indireto no texto da entrevista

Emprego de verbos declarativos ou dicendi em matérias do jornalismo brasileiro contemporâneo, elaboradas com base em entrevistas. Pesquisamos em jornais e revistas de diferentes naturezas e periodicidades, durante as décadas de 80 (segunda metade) e de 90. O resultado acha-se no glossário de mais de 300 verbos, abaixo.

1 Classificação:Othon M. Garcia (1986, p.129ss) adota uma classificação dupla para os verbos usados nos diálogos, encontrados na literatura de ficção (romances, contos), dos quais a entrevista jornalística faz amplo emprego. O narrador pode optar pelo discurso direto – transcrição da fala do interlocutor – ou pelo discurso indireto – isto é, a transmissão da essência do pensamento do entrevistado.

1.1– Classe: Verbos declarandi ou dicendi (de declaração)

1.1.1– Definição: São os verbos de elocução. A elocução refere-se à maneira pela qual alguém se expressa, quais palavras usa para fazê-lo.

1.1.2– Áreas semânticas: (GARCIA, 1986, p.131)

DIZER – afirmar, declarar;

PERGUNTAR – indagar, interrogar;

RESPONDER – retrucar, replicar;

CONTESTAR – negar, objetar;

CONCORDAR – assentir, anuir;

EXCLAMAR – gritar, bradar;

PEDIR – solicitar, rogar;

EXORTAR – animar, aconselhar;

ORDENAR – mandar, determinar.

1.2– Classe : Verbos sentiendi ou de sentir (assim chamados, por analogia aos dicendi).

1.2.1– Definição: Esses verbos são vicários ou variações dos verbos de elocução, pois fazem as vezes destes. Ou seja: do ponto de vista lógico-sintático presumem a existência de um legítimo dicendi oculto. Mas, como variação dos dicendi, expressam a carga de afetividade presente na língua falada.

1.2.2– Áreas semânticas: Expressam estado de espírito, reação psicológica, emoções, atitudes, gestos, etc. Ex. (Othon Garcia, op. cit.): GEMER, SUSPIRAR, LAMENTAR(SE), QUEIXAR-SE, EXPLODIR, ENCAVACAR, etc.

1.3– Funções:

1.3.1– Indicar o interlocutor que está com a palavra.

1.3.2– Permitir a adjunção de orações adverbiais (quase sempre reduzidas de gerúndio) ou expressões de valor adverbial, com que o narrador sublinha a fala das personagens, anotando-lhes a reação física ou psíquica. Em síntese, a função dos verbos dicendi é retratar o comportamento – em determinada circunstância - ou mesmo o caráter das personagens.

Ex.: “Eu tenho aqui uma lista de nomeações do PL para encaminhar”, disse Costa Neto entregando... Hargreaves não titubeou. Sem olhar a lista, foi logo prometendo: “Pode deixar comigo. Vou examinar com todo carinho”. (IstoÉ, 2.6.1993, no. 1235, p.21)

Segue glossário de verbos dicendi e sentiendi, em ordem alfabética.

Abordar Admirar-se Ajustar Ameaçar

Acentuar Admitir Alardear Amenizar

Aconselhar Admoestar Alegrar-se Anotar

Acreditar Advertir Alertar Analisar

Acrescentar Alegar Alfinetar Animar(se)

Acusar Afirmar Aludir Antever

Adiantar Ajuntar Alinhar Anuir

Anunciar Compreender Denunciar Endossar

Apontar Comprometer-se Deplorar / Depor Enfatizar

Apostar Comprovar Derramar-se Enfocar

Apregoar Comunicar Desabafar Engatilhar

Argüir Conclamar Desafiar Ensinar

Arriscar Concluir Desarmar-se Entender

Argumentar Concordar Descansar Entusiasmar-se

Arrematar Condenar Descartar Enumerar

Arrolar Confessar Descobrir Esbravejar

Assegurar Confiar Desconfiar Escandalizar-se

Asseverar Confidenciar Desculpar-se Escapar

Assinalar Confirmar Desdenhar Ensinar Gritar Ponderar Esclarecer

Assustar-se Confundir-se Desenvolver Entender Historiar Precisar Esconjurar

Atacar Congratular-se Desesperar-se Espantar-se

Atestar Conjecturar Desmentir Esquivar-se

Atribuir Consolar-se Destacar Estabelecer

Avaliar Constatar Determinar Estimar

Avisar Contabilizar Devolver Evidenciar

Balbuciar Contar Diagnosticar Exagerar

Bradar Contemporizar Discordar Exclamar

Bravatear Contestar Discorrer Exemplificar

Brincar Contra-atacar Discursar Exigir / Eximir-se

Calcular Contradizer Disfarçar Exortar / Explanar

Censurar Contrapor-se Disparar Explicar

Chamar a atenção Credenciar-se Distinguir Explicitar

Citar Crer Divertir-se Explodir

Classificar Criticar Dizer Expor

Cobrar Decepcionar-se Elogiar Expressar-se

Comemorar Declarar(se) Elucidar Exprimir-se

Comentar Defender(se) Emendar Extasiar-se

Comparar Definir(se) Emocionar-se Externar

Complementar Deixar escapar Encavacar Exultar

Completar Demonstrar Encerrar Falar

Fazer coro Mentalizar Raciocinar Resumir

Festejar Minimizar Reafirmar Retrucar

Filosofar Mostrar Reagir Revelar

Finalizar Murmurar Rebater Revidar

Frisar Narrar / Negar Receitar Revoltar-se

Fulminar Nomear / Notar Reclamar Rezar

Gabar-se Objetar Recompor-se Rugir

Garantir Observar Reconhecer Sacramentar

Gemer / Gritar Opinar Recordar(se) Salientar

Hiperbolizar Ordenar Redimir-se Segredar

Historiar Ordenar Refazer-se Sentenciar

Identificar Orgulhar-se Refletir Simplificar

Ilustrar Pedir Reforçar Sintetizar

Imaginar Penitenciar-se Regalar-se Solicitar

Incentivar Pensar Registrar Sonhar

Indagar Perguntar(se) Regozijar-se Sublinhar

Indicar Ponderar Rejeitar Sugerir

Indignar-se Precisar Rejubilar-se Supor

Informar Preconizar Relacionar Suspirar

Insistir Predizer Relatar Sussurrar

Interpretar Pregar Relativizar Sustentar

Interrogar Preocupar-se Relembrar(se) Tachar / Temer

Ir (mais) além Prever Rememorar Teorizar

Ironizar / Irritar-se Proclamar Replicar Terminar

Isentar-se Profetizar Resguardar-se Testemunhar

Jurar Prognosticar Resignar-se Titubear

Justificar(se) Propor Resistir Transmitir

Lamentar(se) Propugnar Resmungar Trombetear

Lamuriar-se Prosseguir Responder Vaticinar

Lembrar(se) Protestar Responsabilizar-se Ver / Viajar

Limitar-se a dizer Provocar Ressaltar Vibrar

Manifestar-se Queixar-se Ressalvar Vociferar

Maravilhar-se Questionar Ressentir-se Zombar

2 VERBOS E PRONOMES NOS DISCURSOS DIRETO E INDIRETO

2.1– Salvo em casos excepcionais, há correspondência regular entre os tempos e os modos verbais. Assim, quando o verbo da fala está no presente do indicativo e o da oração justaposta, no pretérito perfeito, o primeiro verbo vai para o pretérito imperfeito do indicativo, mas o segundo não sofre alteração.

DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO

– Vou realizar muitos projetos neste ano, disse-lhe. Disse-lhe que iria realizar muitos projetos naquele ano.

OBS.: Caso a ação declarada na oração integrante (discurso indireto) perdure no momento em que se fala, o verbo mantém-se no presente do indicativo: “Disse-lhe que estou com preguiça neste ano”. O demonstrativo – neste – permanece também inalterado.

2.2– Se ambos os verbos – o da fala e o da oração justaposta – se acham no presente do indicativo, assim permanecem no discurso indireto; o mesmo ocorre com o pronome (demonstrativo):

DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO

– Estou sem planos neste ano, diz-lhe. Ele diz que está sem planos neste ano.

OBS.: O verbo dicendi vem no presente do indicativo somente quando há um mediador entre o autor da fala e o destinatário do texto.

3– POSIÇÃO DO VERBO DICENDI /SENTIENDI

3.1– No Discurso Direto de moldes tradicionais (que vigoraram até o início da escola realista), o verbo dicendi vem no meio ou no fim da fala, e excepcionalmente antes.

3.2– No jornalismo contemporâneo, encontramos mais freqüentemente o verbo dicendi/sentiendi no fim das frases. Essa localização se deve ao fato de as frases reproduzidas serem de pequena extensão.

Ex.: “Todo mundo diz que as fofocas saem do Palácio”, disse Corrêa. (IstoÉ, 2.6.1993, no. 1235, p.21)

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. Aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 13.ed. Rio de Janeiro: FGV, 1986. (Biblioteca de Administração Pública, 14)

Fonte: Pesquisa: Professora Drª. JOANITA MOTA DE ATAIDE